Eu sei que Paralamas não anda tão por baixo assim, mas para mim é uma banda morta. Ao ouvir “Brasil Afora” e depois assistir o vídeo do show do Rock in Rio 85, você entende a minha frustração.
Antes de me taxar como um crítico sem vergonha, é preciso ressaltar o quanto eu amo Paralamas e que essa é uma resenha sem dúvida apaixonada. E é por esse motivo que eu nem fiz questão de ir ao show de estréia da nova turnê que rolou na minha cidade natal, São Carlos.
Herbert Vianna, para mim, está entre os maiores compositores populares e acessíveis de todos os tempos, dentre uma lista seleta: Cartola, Dorival Caymmi, Gilberto Gil (dentre os grandes da MPB geração 60, o mais acessível), Lulu Santos, que merecerá um post ressucitativo, Rita Lee, entre tantos outros. Ele é o mais brilhante da sua geração e isso não é mero fanatismo, é possível descrever:
.: Ele fez (claro que com o acompanhamento indispensável de Bi e Barone) “O Passo do Lui”, o disco de rock mainstream mais incrível, cool e bem vendido dos anos 80, misturando pós-punk com reggae e new wave, 3 estilos de vanguarda num Brasil que nem bem ocupado era.
.: Eles (banda) conseguiram sobreviver à mudança de atitude sobre o rock no Brasil dos anos 90 sem perder o público e a dignidade, além de reinventar o próprio som na mesma época.
.: Manteve a humildade intacta e isso é visível ao longo dos anos, e pela própria amizade com os companheiros de banda, fator marcante.
.: Conseguiu fazer um disco inédito, excelente e cru depois de 20 anos de banda (essa comentário é pessoal, rs).
.: É o único nerd bem sucedido da história da música brasileira.
O Rock in Rio de 85 é sem dúvida o ponto de partida para todo este caminho.
O público carioca ainda era um misto pós-hippie e é bem divertido reparar no DVD que, pela dança de alguns, era cabível que o Jimi Hendrix estivesse tocando ao invés de uma banda dos anos
Entra no palco um power trio a
Agora o filé do Saturasom: o pico do desgaste. Quando você ouve nesse DVD a recém-lançada “Meu Erro”, é impossível não se lembrar das dúzias de videokês, festa de tia, palquinhos, barzinhos e qualquer coisa que o valha e não pensar “essa música foi lançada um dia?”. Para mim ela sempre existiu, sei lá, é uma adaptação folclórica. Quem no universo não sabe começar o “eu quis dizer/você não quis escutar”? Pois é, naquele 16 de janeiro de 85, ninguém sabia ainda. E se você ouvir sem vícios, vai reparar no riff de baixo que desliza na batida direta, com cara de Pretenders. A voz frágil do Herbert, contrariando a virilidade dos cantores contemporâneos a ele, levando uma letra direta, derrotada, objetiva, assumida. “o meu erro foi crer que estar ao seu lado bastaria”.
Tirando “Patrulha Noturna” (“só to tirando chinfra com a minha lambreta”) e “Óculos” que embora seja ótima, peca pelo exagero de inocência, o resto do show poderia, claro que com uma reformulação de timbragem, ser copiado e colado na Rua Augusta hoje em dia sem problemas.
Depois desse show, a banda saiu da vida para entrar na história: lançou “Selvagem” em 86, uma mão cheia de megahits e, como uma boa estratégia (semelhante a do U2), abandonou a cara de banda pequena para bancar a responsabilidade de ser a maior banda do Brasil. E deu nisso aí, uma penca de regravações, música em novela, sucesso total. Saturasom vem corrigir esse desvio de conduta de desmerecer a obra por causa de tal acontecimento e dar a verdade dos fatos.
Só para complementar, quando “Longo Caminho” foi lançado, eu realmente achei que os Paralamas tinham voltado. Disco gravado ao vivo, guitarra, baixo e bateria com poucos metais e outros instrumentos, letras derrotistas e cruas (“o segundo que antecede o beijo / a palavra que destrói o amor”), som bem de verdade. Mas o Herbert, agora defasado fisicamente da sua função de compositor, já não consegue mais carregar o peso construído em torno do nome “Os Paralamas do Sucesso”. Não dá mais pra ser simples, ser pequeno, embora ele não tenha rifado sua dignidade. Prefiro não assistir um herói vencido, pra mim é sofrível demais. Mas quem sabe a vida não me prepara uma surpresa?
é isso aew! Paralamas é uma das bandas que eu mais gosto e já fui em 4 shows deles, pirei em todos!! esse ultimo cd realmente nao passa tudo o que eles representam, mas nao perde totalmente a cara da banda, ao contrario do que ocorre com os Titas (talvez merecam um post??) que de banda quase experimental com batidas eletronicas e sintetizadores, passaram a um pop rock nao tao interessante...
ResponderExcluirvale lembrar q apesar de qualquer coisa um show do paralamas ainda tem seu peso, energia e emocao!!!!!!
abracao aew!!!
vitor locilento sanches